Quem sou EU:












Sou uma mulher terrivelmente passional,

assim como já me disseram algumas vezes.

Que talvez dê muito valor às coisas do coração,

embora me julgue ser tão racional.

Sou uma mulher que lembra de datas que não fazem mais sentido,

que sente vontade de ligar no aniversário daquele idiota que me enganou,

sem ter qualquer explicação plausível.

Uma mulher que acredita numa história de amor,

daquelas de fazer o mundo parar naquele instante em que os olhos se cruzam,

e você não mais consegue encarar.

Sou muitas vezes movida pelo desejo, mas sempre controlada pela razão,

naquelas horas em que o corpo diz sim,

mas sua cabeça insiste em pensar e dizer não.

Uma mulher que dorme com aquele cheiro de sexo impregnado na cabeça,

já que aquele banho de final de noite, se encarregou de tirar os vestígios do corpo.

Uma mulher de ligações inesperadas no meio da noite,

de um eu te amo sussurrado ao pé do ouvido,

de flores no dia seguinte. Sim, flores!!!!!

Uma mulher que sabe exatamente quando alguém está mentindo,

seja pelo tom da voz,

seja por não conseguir me encarar,

seja pelo brilho diferente nos olhos.
Eu sei...Apenas sei.

Uma mulher que se esconde atrás do tempo,

que acredita que o amanhã sempre será melhor que o hoje,

que o que é meu está guardado, e que nada na vida acontece por acaso.

Uma mulher que pensa como um homem,

mas que sente como uma mulher,

e que vive em eterno conflito quando as duas partes se chocam,

divergem e me obrigam a tomar uma decisão.

Uma mulher que precisa se sentir necessária,

que precisa ver seu telefone tocar pelo menos nove vezes durante o dia.

Uma mulher que não vai atrás de ninguém,

embora às vezes me corroa feito ferrugem de vontade de fazê-lo.

Sou uma mulher que acredita na liberdade no sentido literal da palavra,

liberdade de sentir, liberdade de querer, liberdade de fazer,

liberdade, apenas liberdade.

Uma mulher que faz das palavras sua fuga,

do papel seu esconderijo, das idéias suas companheiras,

e que se sente completamente só quando elas se vão.

Mas elas sempre voltam.

E eu, como mulher,

sei esperar sua melhor fase.

Uma mulher que não quer a mediocridade das vidas normais,

mas ao mesmo tempo, quer um carro, uma casa,

um emprego, um amor de janta e café da manhã,

uma varanda que me permita ver a lua e uma vista para o mar.

Sou uma mulher exatamente igual a todas as outras mulheres,

talvez um pouco mais inconstante, talvez um pouco mais impulsiva,

talvez um pouco mais compreensiva,

talvez um pouco mais exigente,

talvez um pouco mais pensativa,

talvez um pouco mais sentimento,

talvez um pouco mais razão.

Talvez um pouco mais eu...

Apenas eu!






"Eu não tenho vergonha

de dizer palavrões.

De sentir secreções,

Anais ou vaginais.





As mentiras usuais,

que nos fodem sutilmente,

Essas sim são imorais,

Essas sim são
INDECENTES!"












Gosto do cheiro da terra molhada,

Do barulho da chuva na calçada.

Da borboleta que voa apressada,

De fazer amor de madrugada.




Gosto de ser Mulher-menina,

Ser Mulher-feminina.

Me encher de cafeína (e nicotina),

Em qualquer bar de esquina.



Gosto de rir sem razão.

Sentir arrepios de tesão,

Sentir a salivação,

Quem vem junto à explosão.



E gosto ainda mais...:



Do vento que bate em meu rosto,

De discutir o oposto,

Sentir na boca o teu gosto,

E ter o coração exposto.



De receber flores,

De masculinos odores,

Poder aprender com as dores,

E encher a vida de cores.



Sou a mistura exata,

Do Doce com o Veveno.

E sem preconceito algum,

Adoro o obsceno.



Se me arrependo? Não sei...

Talvez apenas, das palavras que não falei.

À pessoas que gostaria tivessem escutado.

Mas... Isso já é passado.



(Giselle Ferrara)

Do coração de uma Mulher:









Pensando bem, não sou essa mulher fatal que você pensa que eu sou.

Aquelas histórias de sedução foram todas inventadas e esse ar superior,

de quem sabe lidar com a vida, é apenas autodefesa.

Aquelas frases filosóficas, foram só prá te impressionar,

prá te passar essa ilusão de intelectual ...

Na verdade eu ainda nem sei se acredito nos valores que me ensinaram,

quanto mais em frases feitas e opiniões formadas!

Senta aí, vai! Deixa eu tirar os sapatos, desmanchar o penteado, retirar a maquiagem ...

Quero te mostrar que assim de perto não sou tão bonita quanto pareço,

por isso uso todos esses artifícios.

É que no fundo tenho um medo terrível de que você me ache feia,

de que você encontre em mim uma série de imperfeições.

Sabe, não quero mais usar essa máscara de mulher inatingível,

de mulher forte com punhos de aço ...

No íntimo me sinto uma pequena ave indefesa, leve demais para enfrentar o vento,

e que deseja ficar no aconchego do ninho e ser mimada até adormecer.

Olha pra mim, às vezes minha intimidade não tem brilho nenhum,

e você terá que me amar muito para suportar essas minhas impotências.

Deixa eu tirar o casaco, tirar o cansaço... Essa jornada dupla me deixa tão carente ...

A convicção de independência afetiva? É tudo baléla!

Eu queria mesmo era dividir a cama, a mesa, o banho ...
Queria dividir os sentimentos, os sonhos, as ilusões ...
Um pedaço de torta, uma xícara de café, algum segredo ...
Ah, eu tenho andado por aí, tenho sido tantas mulheres que não sou!

Quantas vezes me inventei e até me convenci da minha identidade.

Administrei minha liberdade. Tomei aviões, tomei whisky... Troquei a lâmpada, abri sozinha o zíper do vestido ...

Decidi o meu destino com tanta segurança ...

Mas não previ que na linha da minha vida estivesse demarcada uma paixão inesperada.

Agora, cá estou eu, quarenta e poucos anos e toda atrapalhada,

tentando um cruzar de pernas diferente, um olhar mais grave, um molhar de lábios sensual ...

Mas não sei direito o que fazer para agradar.

Confesso que isso me cansa um pouco.

Queria mesmo era falar de todos os meus medos, "dos seus medos?" você diria,

como se eu nunca tivesse temido nada.

Queria lhe falar das minhas marcas de infância, dos animais que tive,

do meu primeiro dia de aula ...

Queria falar dessas coisas mais elementares, e lhe levar à casa da minha mãe,

lhe mostrar meu álbum de retrato ( eu, me equilibrando nos primeiros passos ),

ah, queria lhe mostrar minha primeira bicicleta, com truques.

Ela ainda existe!

Queria lhe mostrar as árvores que eu plantei (como elas cresceram!)

e todas essas coisas que são tão importantes pra mim,

e tão insignificantes aos outros.

Ah, você queria falar alguma coisa?

Está bem! Antes, só mais uma coisinha:

estou morrendo de medo que você saia desta cena antes de mim,

que você saia, à francesa desta história,

e eu tenha que recolocar minha máscara e me reinventar, outra vez !





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Blog criado em: 26/06/2003